Apesar de muitos tentarem separar essa discussão, a meu ver àqueles que ainda acreditam que seja possível discutir economia de forma isolada das questões políticas, ainda não compreenderam como a economia funciona.
O impacto da política fiscal expansionista tem impactado fortemente o varejo brasileiro. Quais seriam as possíveis estratégias para mitigar seus efeitos?
A economia brasileira enfrenta um cenário desafiador, marcado por um descontrole fiscal que pressiona a inflação e mantém os juros em patamares proibitivos. Atualmente, a taxa Selic está entre as mais altas do mundo, perdendo apenas para Turquia e Rússia, o que afeta diretamente o poder de consumo das famílias e impõe severas restrições ao setor varejista.
Diante desse contexto, o varejo, que depende de capital de giro para sustentar suas operações, vê sua rentabilidade comprimida por custos financeiros elevados e um consumidor cada vez mais endividado e cauteloso.
Mas há caminhos para mitigar esses efeitos. Empresas que adotam gestão de caixa eficiente, controle rígido de despesas e estratégias de branding para agregar valor ao produto conseguem se destacar mesmo em tempos turbulentos.
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O efeito da política econômica sobre o varejo
A política fiscal expansionista do governo tem levado a déficits recorrentes, o que impacta diretamente na inflação e, por consequência, na política monetária do Banco Central. Para conter os preços, a autoridade monetária mantém a taxa básica de juros elevada, o que encarece o crédito para empresas e consumidores.
No varejo, esse ambiente se traduz em dois grandes problemas:
- Redução do poder de consumo: com juros altos, as famílias têm menos acesso ao crédito e destinam uma fatia maior da renda ao pagamento de dívidas, limitando seu consumo discricionário. O setor de bens duráveis, que depende fortemente de financiamentos, é um dos mais afetados.
- Capital de giro caro: o custo do dinheiro para financiar estoques, pagar fornecedores e sustentar operações se torna um fardo para os varejistas. Empresas com baixa liquidez ou que operam com margens apertadas enfrentam maior risco de endividamento ou até mesmo insolvência.
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Como o varejo pode minimizar os impactos da política econômica
Diante desse cenário, algumas estratégias podem ser adotadas para mitigar os efeitos da alta dos juros e da desaceleração do consumo:
- Gestão rigorosa do caixa
A primeira medida essencial para os varejistas é a gestão eficiente do fluxo de caixa. Empresas que mantêm um controle rigoroso sobre entradas e saídas financeiras, evitando estoques excessivos e renegociando prazos com fornecedores, conseguem reduzir sua dependência de capital de terceiros. O Magazine Luiza, por exemplo, tem investido fortemente na digitalização da gestão financeira, otimizando capital de giro e reduzindo a necessidade de financiamentos onerosos.
- Redução de despesas e aumento da eficiência operacional
Outro caminho fundamental é o corte de custos e o aumento da produtividade. Empresas como o Grupo Pão de Açúcar (GPA) vêm adotando medidas como fechamento de lojas menos rentáveis, renegociação de aluguéis e automação de processos para melhorar a eficiência e reduzir custos fixos.
- Branding para fortalecer margens
Em um ambiente de menor poder de compra, as marcas precisam se diferenciar para justificar preços mais elevados e evitar a guerra de descontos. O branding se torna uma ferramenta essencial para gerar percepção de valor. A rede Arezzo & Co., por exemplo, tem conseguido manter margens saudáveis ao apostar na força de suas marcas (Arezzo, Schutz, Anacapri, entre outras), fidelizando clientes e minimizando a necessidade de promoções agressivas.
- Ampliação da oferta de serviços financeiros e fidelização do cliente
Empresas que conseguem oferecer crédito próprio, como Renner e Casas Bahia, criam mecanismos para driblar os juros altos e manter a recorrência de compras. Além disso, programas de fidelização e clubes de assinatura fortalecem o vínculo com o cliente e garantem receita previsível.
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O futuro do varejo em meio à instabilidade econômica
Embora o cenário macroeconômico brasileiro continue desafiador, varejistas que adotam estratégias de eficiência operacional, controle financeiro e fortalecimento de marca conseguem mitigar os efeitos adversos e preservar a rentabilidade. O varejo está, mais do que nunca, no limiar entre sobrevivência e reinvenção. Empresas que conseguirem equilibrar prudência financeira com inovação sairão fortalecidas deste período.
Agora, cabe aos empresários do setor tomarem decisões estratégicas rápidas e assertivas para atravessar mais esse ciclo de turbulência econômica.